Curso de Educação Física recebe pesquisador argentino para dialogar sobre a violência entre torcidas organizadas no futebol
Curso de Educação Física recebe pesquisador argentino para dialogar sobre a violência entre torcidas organizadas no futebol
Quinta-Feira - 10 de novembro de 2016

Alunos do 8º período do curso de Educação Física participaram de uma aula diferente, sob a proposta de dialogar e refletir sobre a violência entre torcidas organizadas de futebol, no Brasil e na Argentina. Para isso, contaram com estudos apresentados pelo professor da FHO|Uniararas, Me. Marcelo Fadori Soares Palhares e pelo pesquisador convidado, Nicolás Cabrera - bolsista de Conicet para doutorado em Antropologia na Universidad Nacional de Córdoba, e da FAPERJ para doutorado-sanduíche no Programa de Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense - UFF, no Rio de Janeiro.

Os colegas se conheceram na Universidad Nacional de Córdoba, onde o Prof. Marcelo teve a oportunidade de estudar durante o mestrado, realizado pela UNESP de Rio Claro. Na ocasião, Nicolás desenvolvia uma pesquisa sobre a violência no futebol com a torcida organizada do Clube Atlético Belgrano, enquanto Marcelo desenvolvia sua tese de mestrado sob o mesmo tema, com enfoque no São Paulo Futebol Clube. "No meu estudo, procurei investigar o que os torcedores organizados pensam que é violência e para isso utilizei as teorias da Sociologia. Na construção deste conhecimento, fiz um comparativo com o que acontece na Argentina, visto que, apesar de terem condições estruturais e socioeconômicas totalmente diferentes, brasileiros e argentinos se envolvem com o mesmo fenômeno de violência", contou Marcelo.

Desta troca de conhecimento, nasceu uma produção em conjunto: o artigo "Apontamentos para um estudo comparativo entre torcidas organizadas e hinchadas", que assinala semelhanças e diferenças entre os grupamentos de espectadores de futebol. Os resultados encontrados neste estudo foram apresentados em sala de aula, como um complemento aos conteúdos já discutidos. "Fiquei muito feliz em ver o envolvimento e participação dos alunos. Dessa forma, eles vivenciam com práticas o que estão aprendendo na disciplina, de um modo comparativo, e fazem uma reflexão sobre o assunto, como cidadãos que integram esta sociedade. Isso é um diferencial para a formação deles", disse o professor.

Para Nicolás, poder participar da aula foi muito gratificante. "Os alunos ficaram muito interessados na temática e foram participativos durante toda a aula. Eles conheceram as práticas na Argentina e as relacionaram com a realidade do Brasil. No campo da Antropologia é importante pensar comparativamente para construir conhecimento", comentou o pesquisador, que também destacou a oportunidade como muito produtiva para os professores, que puderam compartilhar experiências.

As torcidas e as hinchadas: diferença de organização, semelhança de comportamento

Apesar de formarem grupos de socialização fortemente estigmatizados pela adjetivação, as torcidas brasileiras são organizações verticais e hierárquicas, registradas como pessoa jurídica, o que as tornam expostas em relação às suas atividades, incluindo aquelas não muito divulgadas - como campanhas de prevenção à violência e ações sociais em prol de instituições.

Na Argentina a hierarquia e a verticalização também são observadas, porém sem obrigação ou inscrição legal, "o que já representa uma diferença na relação de ambas as torcidas com o estado, com a mídia, com o clube e com o público", explicou Nicolás.

Outro ponto de destaque para os professores é a lógica de pertencimento e de identidade encontrada. "Tanto as práticas quanto as representações irão articular o que para eles é ser torcedor, essa identidade. Do mesmo jeito que existem práticas e pensamentos comuns ligados ao que é ser um bom aluno, existe um discurso sobre o que é ser um bom torcedor. Um bom torcedor aguenta a chuva, o frio, a fase ruim do time e, se preciso, se envolve com a violência. Sobre isso e sobre os tipos de violência queremos trazer questionamentos para os alunos", comentou Marcelo.

De acordo com Nicolás, a proposta do estudo - realizado por meio de dados quantitativos, entrevistas e observação participativa -, não é julgar estes comportamentos, mas sim compreender porque essas práticas violentas fazem sentido para os torcedores, através da Sociologia. "Normalmente pensamos na violência negativamente, mas o que vemos nas torcidas organizadas é que a partir dela e de outras práticas eles constituem uma comunidade, um grupo. A violência opera construindo um laço social e a partir dela eles afirmam uma identidade de gênero, que tem a ver com a masculinidade, heterossexualidade, força e poder. O que está em jogo não é apenas a honra do grupo, mas também a honra do time", explicou.

Este comportamento aponta mais uma diferença entre as torcidas, brasileira e argentina: enquanto no Brasil os torcedores se preocupam com a construção de um corpo mais atlético, preparado para os confrontos corpo a corpo, na Argentina as brigas envolvem armas de fogo. "Isso nos leva a refletir, por exemplo, onde temos mais violência: no Brasil, onde são registrados mais confrontos corpo a corpo, com menos mortes; ou na Argentina, onde temos menos confrontos, mas com índices de homicídio maiores?", questionou Nicolás.

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